EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu...(Fernando Pessoa)

domingo, 19 de agosto de 2007

Coração Civil

Nada me prende porque sou livre até de Mim. Não há posse no território que habito a partir do meu corpo, não há busca nem comércio em minha alma zen. Nada tenho que possa perder e nem há coisa alguma que eu queira ganhar. Hoje, nada me interessa além do que me toca o coração ensolarado, e nada mais divino do que essa inocência que trago no peito, pura, humana e gloriosa. Produto do meu próprio trigo, gume da minha própria faca, sou apenas o verso da poesia que me encanta. Sou meu movimento, meu vôo, meu Deus. Minha pátria, meu partido, meu clã. E vivo a delícia dessa incerteza dançante que se faz presente. Hoje, nada mais urgente para mim do que ser Eu.

Edson Marques

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." Clarisse Lispecto

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"Dava-se na sua voz o mesmo que na sua dança...Era indefinível, era encantador; o quer que fosse de puro e de sonoro, de aéreo, por assim dizer, de alado(...)Dir-se-ia umas vezes, uma louca, outras, uma rainha (...) respirava sobretudo alegria e parecia cantá-la como a ave, serena e descuidada." Victor Hugo, descrevendo a cigana Esmeralda (Notre-dame de Paris, 1831)