Senhora das TempestadesSenhora das tempestades e dos mistérios originais
Quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo
Trazes a assombração
As conjunções fatais
E as vozes negras da noite
Senhora do meu espanto e do meu medo
Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
Há uma lua ao avesso quando chegas
Há um poema escrito em página nenhuma
Quando caminhas sobre as águas
Senhora dos sete mares
Conjunção de fogo e luz
E, no entanto eclipse
Trazes a linha magnética da minha vida
Senhora da minha morte
Quando tu chegas começa a música
Senhora dos cabelos de alga
Onde se escondem as divindades
Trazes a chuva, o mar, as procelas
Batem as sílabas da noite
Batem os sons, os signos, os sinais
E é tu a voz que dita
Trazes a festa e a despedida
Senhora dos instantes com tua rosa dos ventos
E teu cruzeiro do sul
Senhora dos navegantes
Com teu astrolábio e tua errância
Tudo em ti é partida
Tudo em ti é distância
Tudo em ti é retorno
Senhora do vento
Com teu cavalo cor de acaso
Teu chicote, e tua ternura
Sobre a tristeza e agonia
Galopas em meu sangue com teu cateter chamado Pégasos
Senhora das tormentas e dos relâmpagos marinhos
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos
Quando tu chegas, dançam as divindades
E tudo é uma alquimia
Tudo em ti é milagre
Senhora da energia
Manuel Alegre

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