EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu...(Fernando Pessoa)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

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Anjos Caidos

Tu dizes que sou anjo...
Talvez seja, quem sabe?
Mas... se fosse...
(Alertar-te se faz necessário)
Seria daqueles que caíram
Por vontade ou castigo
Pela esperança, motivados
De sentir as humanas expressões
Da Terra, atraídos pelo chão
Abandonando os etéreos espaços
As luzes e os celestes campos
Ansiosos por paixão.
Não seria daqueles anjos belos
Suaves, perfeitos...
E sim daqueles rudes, caricatos
Rebeldes, curiosos...
Confusos, tolos.
Talvez eu, um anjo fora,
Que por ser mais homem
Que anjo,
Preferira cair que subir,
E agora, que é caído,
Permanecer quer assim
Porque assim conheceu
O mais profundo sentimento humano
Aquele que tu, despertaste em mim
O que mais sentir faz
Todas as humanas sensações
E que saber me fez
Que um homem é capaz
De todas as angelicais percepções
O que o faz, mesmo que besta,
Um anjo!

José Antônio Gama de Souza

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." Clarisse Lispecto

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"Dava-se na sua voz o mesmo que na sua dança...Era indefinível, era encantador; o quer que fosse de puro e de sonoro, de aéreo, por assim dizer, de alado(...)Dir-se-ia umas vezes, uma louca, outras, uma rainha (...) respirava sobretudo alegria e parecia cantá-la como a ave, serena e descuidada." Victor Hugo, descrevendo a cigana Esmeralda (Notre-dame de Paris, 1831)