EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu...(Fernando Pessoa)

sábado, 3 de novembro de 2007

Alma de héroi



Alma de herói


Se você pudesse prever o futuro.
Teria coragem de se imolar num gesto nobre?
Quem é você que se soma à galeria dos deuses.
De onde vem tua força?
Simples mortal.
Tua vida é finita, mas tua lembrança imortal.
O que nos difere o caráter ou a consciência do dever.
O bombeiro que perece salvando a vitima.
O covarde que no ultimo momento se enche de coragem.
Tomando a bandeira em meio aos inimigos.
De peito aberto.
Lutando de espada empunho.
Sabendo que não vencera o embate.
O soldado que cede sua vida para defender seu povo.
Onde esta o âmago da verdade?
No corpo ou no espírito.
Na verdade ou na esperança.
Quem es tu que me faz envergonhar baixando os olhos.
Não és de ferro.
Não és de aço.
Habitas no fundo da nossa alma.
Perdido nos conceitos da modernidade.
Respeita os fracos e enfrenta os fortes.
O medo te aflige.
Mas não te impede de fazer o que é preciso.
Isto é o que difere o herói do covarde.
Carregarias com o cordeiro a cruz imposta.
Aceitando a tortura e a morte.
Com os olhos tranqüilos de quem não teme a vida.
E enfrenta com serenidade a morte.
Por ti minha alma chora.
Buscando teu exemplo.
Nos enredos da história.
Vários são teus nomes.
Ilustre ou anônimo.
A habitar os nossos corpos.
Perdido entre as facetas de nossas auras.
A emergir num relance.
Num breve instante.
Sem nos dar consciência do ato concebido.
Paixão e glória na beleza do espírito.
Quantos corpos habitam tua energia.


Eduardo





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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." Clarisse Lispecto

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"Dava-se na sua voz o mesmo que na sua dança...Era indefinível, era encantador; o quer que fosse de puro e de sonoro, de aéreo, por assim dizer, de alado(...)Dir-se-ia umas vezes, uma louca, outras, uma rainha (...) respirava sobretudo alegria e parecia cantá-la como a ave, serena e descuidada." Victor Hugo, descrevendo a cigana Esmeralda (Notre-dame de Paris, 1831)