EU... Eu, eu mesmo... Eu, cheia de todos os cansaços, Quantos o mundo pode dar. — Eu... Afinal tudo, porque tudo é eu, E até as estrelas, ao que parece, Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças... Que crianças não sei... Eu... Imperfeita? Incógnita? Divina? Não sei... Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu...(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Preconceito


E substância não falta à perplexidade. O masculino do vulgarismo puta não existe. Equivalente, mas soando a promoção, há prostituto. Para a mulher termo pejorativo, para o homem termo profissional. O português metafórico é igualmente injusto para a mulher.
Vejamos:
vadio: homem que não trabalha
vadia: puta
boi: homem gordo, forte
vaca: puta
aventureiro: homem que se arrisca, viajante, explorador
aventureira: puta
atirado: semelhante a aventureiro, sempre disponível
atirada: puta
garoto de rua: garoto pobre que vive na rua
garota de rua: puta
homem da vida: pessoa letrada a quem diversos meios deram sabedoria
mulher da vida: puta
ambicioso: visionário, enérgico, com metas
ambiciosa: puta
Homem da noite: boémio
Mulher da noite: puta
Pré-conceitos carimbam as mulheres que desrespeitam os normativos inerentes à condição de senhoras ou meninas de bem. A ciência, meteórica nas estradas do pensamento criativo, a literatura e outras manifestações culturais evoluem reflectindo o presente. Os preconceitos bebidos com o leito materno são insidiosos - passam de geração em geração como marcadores dominantes na herança genética. Até quando?

Publicado por Teresa C.
Obra de arte BORIS VALLEJO

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." Clarisse Lispecto

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"Dava-se na sua voz o mesmo que na sua dança...Era indefinível, era encantador; o quer que fosse de puro e de sonoro, de aéreo, por assim dizer, de alado(...)Dir-se-ia umas vezes, uma louca, outras, uma rainha (...) respirava sobretudo alegria e parecia cantá-la como a ave, serena e descuidada." Victor Hugo, descrevendo a cigana Esmeralda (Notre-dame de Paris, 1831)